Medicina do Cuidado: cuidar do paciente, da família e da comunidade

Mas o que são os Cuidados Paliativos? O que significam?

A maioria dos profissionais da saúde ainda desconhece o que significa, e nem sequer sabe da existência de ações e serviços de Cuidados Paliativos em instituições de saúde no Brasil. A OMS conceituou Cuidados Paliativos como sendo o cuidado ativo e total aos pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo, tais como: câncer, síndrome de imunodeficiência adquirida, doenças neurológicas, insuficiências hepática e/ou renal, fase final de doenças respiratórias e cardíacas (OMS, 2002).

É importante que o médico reconheça, nestas situações clínicas, a necessidade da mudança do enfoque terapêutico da cura para o do cuidado integral. A atuação profissional busca aliviar o sofrimento por meio do diagnóstico precoce, de uma avaliação minuciosa e do tratamento da dor e de outros sintomas, quer sejam de natureza física, psicossocial ou espiritual1,2.

As relações com paciente, família, cuidador, que compõem a unidade de cuidados, com os outros profissionais de saúde, incluindo o médico, circunscreve uma nova forma à medicina do cuidado, ou seja, os cuidados paliativos2.

Nesse sentido, o CFM manifestou-se no texto do novo Código de Ética Médica com o destaque no capítulo dos Princípios Fundamentais: “Nas situações clínicas irreversíveis e terminais, o médico evitará a realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários e propiciará aos pacientes sob sua atenção todos os cuidados paliativos apropriados” (Capítulo I, XXII – CEM/CFM, 13 de abril de 2010)4.

 

Qual é o tempo que resta de vida? O tempo de agora com a doença terminal e o presságio da morte é outro tempo, emprestado a alguém?2

Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairós. Kairós é uma antiga palavra grega que significa o momento certo, oportuno ou supremo. Enquanto chronos refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, kairós é um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece. É usada também em teologia para descrever a forma qualitativa do tempo, o tempo de Deus, enquanto chronos é de natureza quantitativa, o tempo dos homens2. São passadas páginas, capítulos são encenados. Como os gregos nos lembram, a vida – Zoé – é simplesmente o que ela é: continua2,3.

A atenção interdisciplinar em Cuidados Paliativos é realizada por uma equipe composta por médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social e outros profissionais necessários ao cuidado, que entende a importância de se cuidar do paciente na mesma dimensão que se cuida da família e da comunidade1,2,4.

 

REFERÊNCIAS

  1. PESSINI, L.; BERTACHINI, L. O que entender por cuidados paliativos? São Paulo: EDUNISC; Paulus, 2006. 72 p. (Coleção Questões Fundamentais da Saúde).
  2. OLIVEIRA, J. R. Silêncio. Belo Horizonte: O Lutador, 2009. 172 p.
  3. BRANDAO, J. S. Dicionário mítico etimológico. Petrópolis: Vozes, 1992. 360 p.
  4. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução n. 1.931, de 17 de setembro de 2009. Aprova o Código de Ética Médica. Diário Oficial da União, 24 set. 2009, Seção I, p. 90.

About José Ricardo de Oliveira

Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (FM-UFMG, 1983), doutorado em Ciências da Saúde (2014) e mestrado (2007) em Medicina pela FM-UFMG, Professor de Medicina do Adulto e Bioética da Unifenas-BH (Unifenas BH,2008), Especialista em Bioética pelo IEC-PUCminas (2001). Possui experiência na área de Medicina, com ênfase em Clínica Médica e Medicina Paliativa, Coordenador e Membro da Equipe de Atenção Domiciliar/Cuidados Paliativos da Unimed BH (2007). Certificado na área de atuação em Medicina Paliativa - AMB/SBCM (2012), Supervisor do PRM/MEC-Medicina Paliativa(R3)-Hospital Unimed BH-Contorno (12/2013).

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